“Chiaroscuro”, Pitty (Deck Disc)Em seu terceiro álbum de estúdio, a rainha dos emos e emas tenta corajosamente escapar do arquétipo de rock burro que marcou seus discos anteriores, e não consegue. “Chiaroscuro” é um placebo de rock. Há peso no som, mas não há perigo. As guitarras tentam ser sujas, mas ficam ruminando como vacas no pasto dois dedos abaixo da voz limpa que brada mensagens de auto-ajuda (”Não espere, levante”), pés na bunda e crises adolescentes. Se alguma dupla sertaneja aparecer cantando “Me Adora”, não estranhe.
Nota: 3
20 de outubro de 2009
Dicas (2)
14 de outubro de 2009
Dicas
Cronópios , ótimo site de cultura com artigos sobre variados temas.
um ótimo blog, com uma idéia genial, realiza o que nós por vezes fazemos aqui que é falar mal da classemérdia brasileira
Classe média way of life
O blog super badalado da Ivana Arruda Leite, uma das escritoras de destaque da literatura brasileira contemporânea
Doidivana
Os últimos lançamentos, críticas e fofocas literárias. Já virou celebridade em Portugal. Todos tentam descobrir sua verdadeira identidade.
Senhor Palomar
E se você estiver de saco cheio de ler e ler, de um tempo na leitura neste lindo blog que retrata quadros e fotos, inclusive de escritores famosos fazendo sabe o que? Lendo
O silêncio dos livros
5 de outubro de 2009
VMB 09 - Um Show de Horrores e a morte da Diversidade
Disseram que foi uma premiação democrática, pois atenderam a todos os estilos musicais, passando até pelo melhor twitter, vencido pelo "formador de opinião" Marcos Mion, que não se conteve e caiu em lágrimas!
O que percebi, pelo contrário, foi uma enorme homogenização.
A música popular brasileira é na minha opinião a segunda mais importante do século XX, porém, muitos sustentam que é a maior. Primeiro ou segundo lugar, o importante é que sua marca sempre foi a criatividade, o improviso, o estilo livre e a diversidade.
Se os americanos tiveram Gershwin, nós tivemos Villa-Lobos, se eles inventaram o jazz, o blues e o rock n roll, nós inventamos o samba, o choro, o baião, a bossa nova, a tropicália o mangue beach. Cartola, Noel, Jacob do Bandolin, Pixinguinha, Tom, Vinícius, Chico, Caetano, Gil, Mutantes, Raul, Chico Science,etc...
O que tantos artistas tinham em comum? Tinham em comum a diferença. Inventividade, criatividade, fazer a arte girar e evoluir, apresentar a diversidade cultural e a sofisticação de uma sociedade pluri-étnica numa explosão de estilos refinados.
Predominava um forte apelo ao particular para poder se tornar universal. A boa e velha dialética. Ser particular para ser universal.
A literatura nos ensinou. Joyce é universal por ser particular, por falar da sua cidade, Dublin. Dostoiveski idem. Só estando na arcaica Russia, poderia-se escrever "Humilhados e Ofendidos". E os exemplos são infinitos. Machado de Assis, o cronista de seu país e de seu tempo.
Na Música idem. Em 1972 Caetano lança um album seminal. "Transa". Suas faixas misturam um inglês subvertido pela musicalidade e cadência elíptica do português e um português bem característico e embalado por uma poesia com forte apelo a emoção e a memória de um povo. " Eu vim lá da Bahia (...) meu pai dormia em cama e minha mãe no pisador", ou seja o particular e o universal. A musica americana e Santo Amaro.
Hoje, vendo o VMB, sinto-me entristecido por ter uma cultura tão rica e diversa transformada numa mesmice ao sabor da indústria do entretenimento. O que adianta varias premiações para varios estilos se no fundo tudo é uma porcaria?! Uma banda dos sonhos que toca em inglês!! Todos iguais, nos discursos, na vestimenta, na atitude.
Todos os nossos gênios sabiam de onde vinham. Sabiam do seu particular. E por isso tornaram-se universais. Compartilhavam uma memória sobre um povo. Nós, filhos de uma geração perdida, não sabemos de onde viemos e nem sabemos para onde vamos. NÃO SOMOS PARTICULARES E NEM SOMOS UNIVERSAIS. Vivemos na contingência, onde tudo não passa de uma grande bufonaria! Fazemos infinitas variações sobre o nada. Não inovamos. Repetimos.
Dedico esse texto a Mercedes Sosa, que cantou como ninguém o folclore de seu povo e denunciou a opressão das ditaduras na América do Sul. Uma particular que morreu sabendo quem era, ou seja, uma universal.
Mercedes Sosa - 9/07/1935 - + 4/10/2009 +
28 de setembro de 2009
O BOM E NUNCA VELHO ROCK´N ROLL
Digo uma coisa, se você for não vai se arrepender. Apesar do Circo ter se aburguesado (Ter que beber chope já é complicado e a R$ 4,50 fica demais, afinal o Circo Voador fica no Rio ou em São Paulo?), ainda é um ótimo lugar para esse tipo de show. Uma banda com grande pegada, ótima técnica e muita presença de palco.Até o vocalista fica melhor ao vivo Uma hora e meia de boa música, bom rock, com o guitarrista Marcelo Gross mostrando como se empunha uma guitarra. Ele é sem duvida a alma da banda, por varias vezes toma o front no palco para realizar solos corretos, sem grandes frescuras. Quando Gross toca a intro de Get Back , o público vai ao delírio, estão todos“bem loucos”. Tinha roda, tentativa de invasão de palco, tudo como manda o script. Os momentos de destaque ficam a meu ver por conta das músicas "Dia perfeito" talvez a melhor do repertório e “Deixa Fudê” cantada pelo baixista, uma porrada clássica, garageira, que bota todo mundo pra pular. Não posso também deixar de registrar o bis com a deliciosa "sexperienced" e a bota tudo abaixo "Você nao sabe o que perdeu".
Os chatos de plantão vão dizer que os caras são modinha, que copiam o estilo dos anos 60, que suas musicas são ingênuas, que plagiam Oasis, Beatles, Who, Rolling Stones e Led Zeppelin. Pois sim, é fácil decifrar suas influências e inspirações, o ouvido mais atento perceberá as diversas “homenagens” a essas bandas. Mas porra, que se dane, vejam as bandas que eu listei, se é pra copiar, porque não as melhores? Tocar Brit Rock em português não é fácil, eu diria até impossível, mas a Cachorro Grande tem todos os méritos por tentar, por vezes acertam em cheio.Realizam o que prometem, musica, diversão,festa e álcool muito álcool na cabeça. Mantêm o espirito do bom e velho rock ´n roll vivo. E como tem feito falta este tipo de banda aqui no balneário de São Sebastião.
Cheers