17 de abril de 2010

Por um melhor abril

É fácil reconhecer uma obra-prima. Quando estamos frente a ela, sentimos algo diferente. Sentimos a grandeza atemporal que lhes é peculiar.Ultimamente uma obra prima tem me atordoado. Falo aqui de Ne Me Quittes Pas, canção composta pelo belga francófono Jacques Brel.Desde a primeira vez que ouvi, nos tempos em que ia para a cama sonhando com a Mel Lisboa (Presença de Anita), na marcante gravação de Maysa, eu sentia que essa era uma música especial. Detalhe é que na época não entendia absolutamente nada de francês.

Jacques Brel é um ícone da Chanson Française. Não me resta dúvida que muito se deve ao fato de ter composto Ne Me Quittes Pas.Essa canção, composta no período de separação entre Brel e Suzanne Gabrielle, é o encontro perfeito de letra e melodia, é a prova cabal de que letra também é poesia. Brel evoca o romantismo em época de realismo, Brel evoca os grandes poetas, se iguala a um Keats, Byron, Shelley e Goethe.Nada mais é do que um Werther ,vencido, derrotado, que explode de amor , um amor não correspondido, um amor trágico, uma amor expirado. Ele clama que a amada não o abandone. Promete a ela, todo o universo, se ajoelha e lhe promete fazer rainha. Vemos um homem ao mesmo tempo apaixonado e derrotado.Poderiamos dizer até um covarde,que não aceita o fim do seu amor.

Ne Me Quittes Pas é uma obra prima, uma poesia de grande estirpe. E no vídeo abaixo, o próprio Brel canta sua composição. Tenho me perguntado se essa interpretação também não seria obra-prima.?

Como a incorporação está desativada aqui vai o link:

Ne Me Quittes Pas

8 de abril de 2010

Grandes Pensamentos (3)


Voltando a série de grandes raciocínios e grandes frases. Algumas do grande filósofo e sobretudo romancista Albert Camus. Todos as frases foram tiradas se seu romance A Queda publicado em 1956.

"Quando se pensou muito sobre o homem, por trabalho ou vocação, às vezes sente-se nostalgia dos primatas."


"Quando não se tem caráter é preciso mesmo valer-se de um método."


"Há sempre razão para matar um homem. Inversamente é impossível justificar que viva"


" A morte é solitária, ao passo que a servidão é coletiva."

"Não podemos afirmar a inocência de ninguém, ao passo que podemos afirmar com segurança a culpabilidade de todos."

4 de abril de 2010

Trololo

Nada como a arte soviética. Se é para grudar no ouvido, que seja da forma mais ridicula, melhor do que a Lady Gaga.


27 de março de 2010

Verão, Outono, Tédio, Melancolia ...

Parece que março é o mês da poesia aqui neste enfermo blog, e relendo A fila sem fim dos demônios descontentes (Ed. 7 Letras, 2006), o livro de estréia de Bruna Beber (acho que já falei dela aqui), resolvi publicar duas belas poesias, que se tornaram relevantes nesta releitura. Bruna é uma das melhores poetas do cenário contemporâneo, sua poesia é delicada porém sem ser "pau mole” (não consegui achar termo melhor). O blog dela está linkado aqui desde o inicio.Eu indico com gosto.Bon Appetit


ap.

na minha casa você pode flagrar alguém
se escondendo da rotina num quarto escuro
e batendo a cinza do cigarro na janela
enquanto espia as roupas dançando em silêncio
no varal da área
às três da madrugada
você pode flagrar alguém preocupado
segurando uma caneca com vinho vagabundo
dormindo fora de hora
pensando demais na vida
E no tédio que é
Essa falta de paixão


GRACILIANO BEAT

vejo dragões bêbados
beliscando pipas agarradas
na roda- gigante imaginária
dos moinhos

ando arruinado
e louco
mas otimista

não fossem os vícios
e os códigos de defesa
do consumidor
eu diria que
estou farto de tudo.

espero o outono chegar
e enferrujar as árvores
pra eu andar chutando folhas
e não chutando lixo.