29 de dezembro de 2008
25 de dezembro de 2008
Os melhores de 2008
No campo do audiovisual, destaco "A culpa é do Fidel", com excelente direção da estreante Julie Gavras. O vencedor da Palma de Ouro de Cannes de 2007, o romeno " 4 meses, 3 semanas e 2 dias" de Cristian Mungiu também não fica atrás, mostrando o bom momento que atravessa o novo cinema da Romênia com fortes influências do neo-realismo belga. Por falar em neo-realismo belga, os irmãos Dardenne voltaram com o ótimo " O silêncio de Lorna". O cinema alemão também apresentou boas obras, destaque para " A vida dos outros" com direção de Florian Henckel von Donnersmarck e " Do outro lado" de Fatih Akin. O cinema nacional também apresentou alguns bons filmes, com destaque para Estômago, uma ótima estréia de Marcos Jorge na direção e excelente atuação do ator João Miguel e "Linha de passe" de Walter Salles.Falando um pouco das produções de Hollywood, meu destaque vai para "Batman, O cavaleiro das trevas", com atuação fantástica de Ledger no papel do Coringa, com certeza o melhor personagem de todos os Batmans.

Ainda em Hollywood, o thriller "Aonde os fracos não têm vez", primou pela ótima ambientação sonora, além de grande atuação de Javier Baden. Woody Allen também não decepcionou. Vicky Cristhina Barcelona é um filme leve, de humor inteligente e cativante. Porém, o grande destaque do ano vindo dos EUA é a comédia " Rebobine Por Favor" de Michel Gondry, que prima pela criatividade do roteiro, pelas sacadas inteligentes e pelos ótimos momentos de Jack Black e Denis Glover. Vale a pena conferir pois ainda está em cartaz.
Fechando, o melhor filme do ano, na humilde opinião deste "Saqueador", fica por conta de "Gomorra", o filme italiano, vencedor em Cannes, apresenta a realidade dura e crua, sem apelos para o emocional. O filme é cansativo e é nesse cansaço que o diretor triunfa! Bem diferente por exemplo de "Tropa de Elite", o filme apresenta narrativas descentralizadas, não utiliza recursos sonoros externos, não foca em personagens principais e com isso garante a não identificação sentimental do público com a realidade descrita. Por não apelar para a ação espetacular típica de um thriller(que acaba por glamurizar o Bope), muitas vezes o filme se torna enfadonho, com muitas histórias se cruzando, não permitindo ao público uma tomada de referência ou de partido por alguém. Resumindo, fantástico. Aquele filme que te faz refletir durante semanas, e que vai se tornado grandioso dias após ter sido visto!
Já no mundo fonográfico, meus destaques vão para: "Viva la Vida" um dos melhores discos do Coldplay, produzido pelo badalado Brian Eno. O rock britânico também contou com a volta dos irmãos Gallagher do Oasis com "Dig Out Your Soul" melhor disco da banda desde "Be Here Now" de 1997. Sir Paul Mccartney também marcou presença com o bom The Fireman. Quem não repetiu a dose dos dois primeiros cd´s foi o Keane, que mudou a sonoridade, acrescentando guitarras, mas não decolou. Um cd bastante enjoadinho na minha opinião. Entrando no cenário mais alternativo, destaco o bom cd do Hot Chip "Made in the Dark", que conseguiu conquistar o circuito indie-pedante brasileiro. Mas o melhor do Reino Unido, ficou por conta de Alex Turner e seu ótimo projeto paralelo The Last Shadow Puppets, The Age Of The Understatement inpirado em ScottWalker e David Bowie , um album recheado de rocks dancantes e baladas inteligentes. Da fria Islândia, Emiliana Torrini lançou o bom "Me and Armini" e o Singur Ros com Með Suð í Eyrum Við Spilum Endalaust ( que quer dizer mais ou menos: tocamos para sempre com um zumbido nos ouvidos) também marcou presença.O Portishead lançou em 2008 o elogiadíssimo "Third" e com certeza foi um ponto alto da cena rock do ano. O trip hop da banda inglesa ainda sobrevive nas experimentações eletrônicas de Geoff Barrow e na voz sexy e marcante de Beth Gibbons. Destaque para a sombria "The Rip"
Na música nacional o ano não foi muito bom. Nossa MPB vive uma crise braba. Destaque para os bons e velhos de sempre. Tom Zé e seu "Ensinando a bossa, Nordeste Plaza", é sempre um caso à parte, e dessa vez com direito a polêmica com Caetano Veloso.
No início do ano, Adriana Calcanhotto voltou a cena após um longo período de dedicação ao universo infantil, lançando o bom cd "Maré". O rock nacional que não atravessa também um bom momento vive a onda do neo-folk, com Vanguart, Malu Magalhães e compania. Há quem goste. O Rappa também apresentou trabalho novo. Eu escutei e achei apenas regular. Marcelo Camelo lançou o disco "Sou" e foi bastante elogiado pelos fãs de Los Hermanos. Já Rodrigo Amarante montou com Fabrizio Moretti do Strokes o Little Joy e o cd que também leva o mesmo nome da banda é excelente. Destaco a belísima música "With Strangers" e seus ótimos backing vocals.Bom, é isso. Que 2009 seja um ótimo ano. E se depender dos shows já agendados, tem tudo para ser um dos melhores de nossas vidas. É claro que Radiohead é o destque, e que estamos todos na torcida para a confirmação de Paul Mccartney no Brasil!
20 de dezembro de 2008
Sonho de consumo
Todo final de ano, sempre tem um cronista, escritor ou jornalista, que escreve aquela famosa crítica ao dezembro insuportável e suas peculiaridades, como por exemplo: as caixinhas de natal, amigo oculto, as sucessivas confraternizações, da intolerável hipocrisia até ao excesso de família. Afinal no natal todo mundo se ama não é mesmo?
Obviamente não passa de um exercício de rabugice. E obviamente não poderia me furtar de tal exercício. Eu odeio o Natal. Eu odeio dezembro. Odeio a competição de piscas de janela. As árvores de natal nada brasileiras (algumas tem até neve) que adornam as salas de estar. Eu odeio principalmente a multidão, que nesta época do ano, transbordam os shopping centers, uma massa alucinada, que empunhando seus cartões de crédito são disputados a tapa pelos vendedores buscando o dinheirinho extra de fim de ano, em mais um trabalho temporário e precarizado.
Consumo é a palavra que me causa calafrios. Em nossa sociedade, pós-revolução industrial, o consumo tornou-se parte fundamental da vida, hoje é talvez a principal atividade social. O consumo é cada vez mais estimulado, não só pela propaganda que nos bombardeia com os possíveis prazeres do produto anunciado, mas também pelos economistas e analistas de plantão que analisam a queda ou o aumento do consumo e consequentemente a saúde da economia.Na era do consumo logo existo, indivíduos literalmente são consumidos, fazem dívidas, se matam, extrapolam seus limites. Atrás daquele sonho de consumo, daquele objeto sem o qual ele aparentemente não conseguiria viver, o individuo acaba por encobrir o vazio que o domina. Vivemos na era do TER e não do SER. Ou melhor, na era do Parece TER, típico da era dos simulacros, aonde o princípio de realidade é alterado e espetaculrizado pela mídia. No fim das contas, você compra um celular por milhões de motivos, menos o mais básico que é ligar e receber chamadas.
Mas vamos pensar com um pouco de complacência. Tudo é consumo mesmo, não é? Nosso corpo a cada dia é consumido pelo tempo, pela ditadura do irremediável. Vivemos sempre em relações de troca. No sexo sempre consumimos ou somos consumidos. Comemos ou somos comidos.Inclusive cada vez mais o sexo é vendido. Necessitamos de consumir para sobreviver, talvez o problema esteja no como viver.
È uma pena que o projeto antropofágico de Oswald e dos modernistas seja pouco lembrado e talvez tenha se tornado irrealizável. A antropofagia a meu ver obriga o individuo a consumir, digerir e regurgitar o alimento processado. Porém o consumo contemporâneo é de caráter meramente materialista, não tem “alma” ou sentido. Inclusive o artístico. Ao contrário de um livro, um sapato (ou um Best Seller), é um mero instrumento de uso que não possui qualquer qualidade de saber. Ao invés da antropofagia, o consumismo desenfreado combina melhor com a bulimia.
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14 de dezembro de 2008
Meia entrada/ Meia Verdade
Com o ingresso mais caro, todos procuram uma carteira de estudante, com mais carteiras, mas caros ficam os ingressos, e chegamos a situação de o ingresso para um show, por exemplo, custar o dobro do preço real, e os empresários afirmarem na cara de pau que o preço da meia-entrada na verdade é o preço do ingresso inteiro. A verdadeira questão que se esconde sob o debate se deve ou não ter meia-entrada, se se deve limitar ou impor cotas é a questão do acesso aa cultura. A meia -entrada serve para proporcionar ao estudante e ao idoso não nos esqueçamos deles, um melhor e mais diversificado acesso ao que é produzido culturalmente no Brasil. Cultura (arte), é educação. Na tão propalada sociedade da informação, o acesso mais democrático a cultura é fundamental para o desenvolvimento e manutenção da própria democracia.
Para mim, não há dúvida. A meia-entrada inflaciona os preços dos espetáculos musicais, peças de teatro e sessões de cinema. E também não há duvidas, que o empresariado, usa a meia-entrada como álibi para ganhar (ainda) mais. Afinal, o preço dobrou, nada eles perderam. Perdas sim houve nas Companhias de Teatro que contam com a bilheteria para manter um espetáculo. Perdas existem nos cinemas onde o preço do ingresso é um dos fatores (e não o único) para a dramática falta de público. Uma casa de espetáculo patrocinada por uma poderosa empresa de telefonia, ou mesmo festival cujo nome é de uma das maiores empresas da internet creio eu não perdeu nada com a meia-entrada.
O verdadeiro perdedor é o cidadão comum, não estudante, maioria neste país, que devido ao elevado custo do ingresso não pode assistir a uma peça de teatro, e prefere esperar para ver aquele filme interessante no DVD. Muitas vezes pirata, devido ao alto preço do produto (também culpam a pirataria por isso).
A solução é voltar a ter um único emissor das carteiras, melhor inclusive que seja o ministério da educação, através das secretarias municipais, por exemplo. A UNE como instituição estudantil possui interesses políticos e não seria justo com os estudantes que não concordam com suas diretrizes financiar a suas ações. A adoção de cotas durante o fim de semana também é uma boa solução, mas com ressalvas, quem fiscalizara? Como saberemos se as cotas realmente foram preenchidas?
A regulamentação da meia-entrada serve principalmente para acabar com o álibi dos empresários, sem meia, quem eles irão culpar pelos altos preços?
Isto me lembra o momento que o Radiohead lançou o In Rainbows na internet. O fã poderia pagar quanto quisesse, inclusive pegar de graça.O mais importante desta atitude para mim foi por em xeque a constituição do preço de um produto, principalmente um produto artístico. Diga-me você qual o valor justo do cinema? , qual o valor justo do teatro? Quanto você pagaria para ver uma peça do Miguel Falabella? E um show do Belo?
Este artigo foi o que mais deu trabalho neste blog. Foram duas semanas de discussões e leituras. Muitas questões ficaram de fora, e quem quiser levanta-las, fiquem à vontade para comentar. È um tema polêmico, mas não poderíamos nos furtar deste debate.
Abaixo, o projeto da senadora Marisa Serrano (PSDB-MS), aprovado na Comissão de Educação do Senado, que está em tramite no Congresso Nacional
A meia entrada (50% do valor do ingresso) fica assegurada para estudantes e idosos (a partir de 60 anos) em salas de cinemas, cineclubes, teatros, museus, centros culturais, parques e reservas naturais, espetáculos musicais, circenses, eventos educativos, esportivos, de lazer e entretenimento.
. Impõe cota de 40% de meia entrada por espetáculo. Quando a cota for atingida, estudantes e idosos que estiverem na fila pagam entrada cheia.
. Restringe a emissão da carteira de estudante, que passa a ser controlada pelo Conselho Nacional de Fiscalização, Controle e Regulamentação da Meia Entrada e da Identificação Estudantil, vinculada à Secretaria Geral da Presidência da República.
. O conselho, que terá composição paritária, vai definir a quem competirá a impressão, provavelmente Casa da Moeda, e a permissão para emitir, provavelmente a UNE e a UBES, como no passado.
. Ficam de fora do benefício os cursinhos de inglês e pré-vestibular, os cursos alternativos, como astrologia ou eubiose e os de duração efêmera.
. A meia-entrada também não se aplica a camarotes, áreas e cadeiras especiais.
