28 de novembro de 2009

Adeus Rock in Rio

Os produtores alegam que vários fatores inviabilizam grandes atrações no Rio de Janeiro. Uso excessivo de meia entrada, falta de local adequado para shows e principalmente falta de público. No meu entender são reclamações razoáveis mas contornáveis. A decadência cultural do Rio é evidente, deixamos de ser a capital política e agora estamos deixando de ser a capital cultural . Os grandes shows outrora caracteristicos da cidade, se concentram agora em São Paulo. Ontem o AC/DC fez pelos relatos dos fãs e da crítica um show antológico. Nós não veremos esse show. E não veremos outros também. O Rio de Janeiro não é mais rota obrigatória no Brasil . Uma tragédia a meu ver. Fiquemos então com as micaretas, os bailes funk e shows medíocres nas igualmente medíocres casas de shows. Adeus rock in rio!!!

Aliás e a propósito o jornalista Vladimir Cunha escreveu um belo texto sobre a decadência do Rock de forma geral. Aqui

14 de novembro de 2009

Casa da Mãe Joana

Nóticia publicada pelo jornalista Fernando Molica no Jornal O DIA dia 12 de novembro.


Informe do DIA: O custo da Câmara

POR FERNANDO MOLICA, RIO DE JANEIRO

Rio - Estudo feito pela Coppe/UFRJ revelou que a Câmara Municipal do Rio gasta muito dinheiro com pessoal e serviços, é pouco transparente e tem excesso de funcionários. O trabalho foi encomendado pela Mesa Diretora.

Em 2009, as despesas com pessoal (salários e benefícios) vão consumir quase R$ 278 milhões, 86,82% do orçamento da Casa. O número de funcionários efetivos (1.022) é 2,6 vezes maior que o da Câmara de São Paulo (381). A Coppe sugere revisão nos custos de benefícios como tíquete- alimentação.

Gente demais

Segundo o estudo, vereadores do Rio têm mais cargos em seus gabinetes do que os paulistas: 35 contra 18. Revela também que 260 funcionários poderiam se aposentar, mas ficam na ativa para não perder benefícios. A Coppe sugere incentivar as aposentadorias.

9 de novembro de 2009

Camisa Branca

Sob uma camisa branca cem por cento algodão,
A pele arde, transpira,
Vitima de um calor irracional.

O relógio da Central marca meio dia.
Segue-se a rotina
O ônibus,
O calor
O caos.

29 de outubro de 2009

Tarde Noite

Acordou em meio a uma tarde noite. Desnorteado, sentou-se na cama esfregando as mãos contra o rosto, buscando afastar o sono que restava em seus olhos. Levantou-se trôpego, seus pés ainda dormiam, formigavam enquanto caminhava em direção a única luz acesa. Era uma pequena luz de santa, uma luz azul, que iluminava a varanda perto da sala de estar. Todo o resto da casa permanecia em uma espécie de penumbra, um lusco fusco crepuscular típico do outono. Não era tarde nem noite.

Incomodou-se com aquele alaranjado de fim de tarde. Odiava os fins de tarde. Nesta hora do dia lhe invadiam os pensamentos mais profundos.Era nesta hora do dia, que tomado pela melancolia, sentia o passar das horas, o passar dos dias. Sentou-se no sofá ainda atordoado, pôs mãos sobre a cabeça, tentando achar alguma explicação para a situação em que se encontrava.

Incomodou-se com silêncio daquele fim de tarde.Odiava aquela calmaria. O silêncio produzia o pior dos ruídos.Na ausência de vozes, estava condenado a ouvir sua própria voz. Temia sua própria voz, temia a voz afônica que ressoava em seus pensamentos.

O vento promovia o balé das cortinas, anunciando uma tempestade no horizonte. Ele sorriu, sempre gostou das tempestades. Do caos que prometia um céu repentinamente tomado por nuvens carregadas de angústia e dor.

Era inexplicável o silêncio que tomava o ambiente. Estava a um passo da rua e só ouvia o reclamar dos trovões. Para onde será que todos foram? Mais uma vez, incomodou-se com o crepúsculo, mas não tencionava ligar a luz. Ainda permanecia desnorteado, tentava saber o que se passava?

Parecia fora do tempo, via tudo com outros olhos. Estaria realmente acordado? Parecia suspenso, numa espécie de anticlímax. A letargia permanecia em seu corpo, sim estava acordado e seus olhos encaravam fixamente a parede branca da sala de estar.

Um grande ruído e seus ouvidos agora captavam passos vindos do inicio da rua. As gotas caiam no telhado batendo palmas, o vapor emergia da superfície junto com o cheiro de terra molhada. Uma criança corria da chuva que desabava. Um mar de lágrimas limpava o asfalto por onde passam os carros. Um par de lágrimas escorreu pelo seu rosto pálido.

Ele lembrou das tardes da época do colégio. Das tardes em que sempre dormia fora de hora. Tardes em que submergia sobre sonhos de potência. Dormia para sonhar, pois enquanto dormia não existia.Lembrou que dormia porque nada era.Lembrou-se porque voltara a dormir fora de hora. Ele o nada em nada mudara.