15 de março de 2009

5 Dias...

A primeira idéia era escrever um texto sobre a vinda do radiohead, mas após ler a excelente retrospectiva do screamyell , decidimos ficar só nos clipes mesmo. Falar o que? Afinal é a melhor banda do mundo...faltam 5 dias...


13 de março de 2009

Por você, por mim.

Listas são sempre polêmicas e por isso mesmo irresistíveis. Ele está entre meus cinco preferidos de poetas brasileiros. Ao lado Drummond, Vinicius, João Cabral e Augusto dos Anjos. Sempre na Vanguarda, foi o primeiro a dela se desligar. Escolheu a eternidade. Figura correta, de posições marcantes. Poeta, artista plástico, critico de arte, jornalista. Seu nome? José Ribamar Ferreira, mais conhecido por Ferreira Gullar.

Poema homenagem, escrito pelo nosso amigo Nino:



Por você, por mim


Hoje, morreu meu poeta preferido( O Homem)


Não era Vinícius, Não era Drummond.

Tampouco era o Chico.

Homem Comum,

Do Nordeste veio a migrar

Sua mãe o chamava Ribamar,

Cá entre nós, às vezes o chamo só por Gullar.Que

quando mais moço,aprendeu o Marxismo

Seu maior sonho

Era o fim do imperialismo

Mais tarde, do marxismo desacreditou.

o poeta preferido ,do meu poeta preferido

acho que era um tal de

Rimbaud

De Rimbaud,nada mais irei falar

Minha intenção, é falar apenas de Gullar

que nasceu em São Luís do Maranhão em 10 de setembro de 30

em plena “revolução”.

Em 49, ainda jovem, escreve “Um pouco acima do chão”.

Livro do qual nunca li, mas sei por Gullar, que de 100 crianças 78 morrem no Piauí

Que duro retrato da realidade que de 100 crianças 78 morrem antes de completar o anos de idade

De 100,sobram só 22

Não sei se até os 18

Terão o feijão com arroz

(The Sky above us)

Diarréia, é

“ Uma bomba suja e mansa que elimina sem barulho vários milhões de crianças”

Poesia subversiva, rara,que não comove nem o pau-de-arara

Poesia subversiva luta armada?

“Você é mais bonita que uma bola prateada”,

“que o mar azul-zafira da República Dominicana”

“e quase tão bonita quanto a Revolução Cubana”

Gullar lutou, lutou pela igualdade.

todas as coisas que falava

estão na cidade.

“O homem está na cidade

como uma coisa está em outra

e a cidade está no homem

que está em outra cidade”

não há em sua poesia,

a esperada neutralidade

“Como ser neutro se acabou de chover e a terra cheira e o asfalto cheira,

e as árvores estão lavadas com suas folhas em seus galhos”

“mas quem,dentre as hostes celestes,me reconheceria pelo caralho?”

A Vida Bate, a vida passa,as vezes sem se perceber

Em 1982 surge os Sessenta anos do PCB.Em 1922,

Cantaram e fundaram o partido,

Astrojildo

e mais 8, e isto em 22

Nequete,um dos 8

citava Lênin a 3 por 2.

“Como dois e dois são quatro

sei que a vida vale a pena

embora o pão seja caro

e a liberdade pequena”.Pequena,pequenina

bem miúda

Tão pequena que é impossível sua

Gravura

Somos

Muitas Vozes

Barulhos

Somos

Muitas Vozes

Somos

É preciso lutar.Há bem e mal?

Há na vida, uma Questão, meramente Pessoal?

Nós, Latino-Americanos

“somos todos irmãos

não porque tenhamos o mesmo berço

o mesmo sobrenome

temos o mesmo trajeto de sanha e fome”

Quem coloca a bomba suja no corpo deste homem?

Gullar, Gullar

. escrevo por você,por mim

não escrevo por decreto

Gullar Gullar

Teoria do não-objeto

Gullar Gullar

O poeta do existir,

do poema sujo

“tua gengiva igual a tua bucetinha que parecia sorrir entre as

folhas de banana entre cheiros de flor e bosta de porco aberta

como uma boca do corpo(não como tua boca de palavras)”

mas como era o nome dela?

“Perdeu-se na carne fria

perdeu-se na confusão de tanta noite e tanto dia

perdeu-se na profusão das coisas acontecidas

constelações de alfabeto

noites escritas a giz

pastilhas de aniversário

domingos de futebol”

Gullar ,Gullar

Gullar

O poeta do cotidiano

Tudo bem claro

Nunca atrás dos panos

Gullar Gullar

Paulo Roberto Parreiras Que Não Passou No Vestibular

História De Um Valente

Peleja De Zé Molesta Com Tio Sam

Ferreira Gullar,

Que eu leio até de manhã!

A alegria, Ao rés-do chão,agora quis descer,e não havia chão

Pra ti, Ribamar, não há mais nada, nem a vida dura e amarga

Nem a vida

Bela

nem Helena nem Vera

nem Nara nem Gabriela

nem colo de menina

nem cheiro de tangerina

Tampouco a Tereza e a Maria

Na Vertigem Do Dia

Onde Escondeste o Verde Clarão dos Dias?

Ribamar já se foi

Com ele várias lembranças

A tarde em Buenos Aires,São Luís e sua infância

Quem tomou deste menino o seu rosto de criança?

Ribamar já se foi

Não pode nos dizer

Sobre este assunto

Jamais vamos saber

Ribamar está

Morto “a vida só consome o que a alimenta”

como todos um dia vamos estar

mas você está vivo

ainda pode mergulhar

neste universo de açucena

que venho cá te mostrar

Ribamar está morto (uma pena), mas,

Viva Ferreira Gullar!

Nino Ferreira

10 de março de 2009

9 de março de 2009

Tombo de Bêbado (4)

EXTRA, EXTRA, EXTRA: A bolsa de Tókio caiu 10 %. O índice Nasdaq despencou 50 %, as bolsas européias em pânico totalizaram ao fim do dia uma queda de 100% .A Bovespa, como não podia deixar de ser, segui o movimento de queda e caiu 300 %.

Dados de um Instituto qualquer norte-americano registram um aumento de 20 % nas demissões no mês de fevereiro. Já são mais de um milhão de trabalhadores demitidos! No Brasil, analistas fazem previsões de um crescimento menor do que no ano passado. A Europa anuncia cortes de investimentos e o FMI pede ajuda aos governos.

Esse é o tom do noticiário.Ofoco é a crise que assola a economia mundial desde o segundo semestre de 2008. Recessão, retração, pânico, humor, medo, desemprego. São as palavras que dominam no vocabulário da crise.

O assunto é direto e reto. A quem interessa o tom apocalíptico da cobertura da crise? Até que ponto, a reprodução diária da tragédia, não provoca ainda mais pânico?

Não há duvida que a crise é grave. Provavelmente a pior desde a crise de 29. Porem também não há duvidas de que ela vai passar. Afinal é disso que ele se alimenta, o capital sempre se adapta. Inclusive muitas empresas estão aproveitando a crise, usando-a como álibi para projetos de “reestruturação”(isso ninguém anuncia?).

Os “Anticapitalistas” não formularam ainda uma estratégia, uma alternativa ao seu domínio. As demissões continuarão até o ponto necessário. Vidas serão destruídas como sempre ocorreu. Outras serão erguidas.O lucro como sempre, cada vez mais se concentrará. O prejuízo como sempre, cada vez mais se socializará. Pequenas mudanças ocorrerão. Os Estados Nacionais mais uma vez fortes. Mais uma vez dominado por elites, mais uma vez, servindo de muleta, para um sistema momentaneamente manco, mas em breve de pé.

Já que o assunto é crise, por que não analisar, analiticamente suas causas? Por que não buscar novos modelos? O que vemos na mídia, tanto a brasileira como a internacional é a crise elevada a condição de espetáculo.

Na minha opinião uma estratégia extremamente danosa. O espetáculo, os excessos dramáticos, tanto podem causar descrença quanto à severidade da situação como podem ajudar piorar ainda mais, como, por exemplo, criando uma onda de pânico que imobilize o consumidor. O pior é, em plena era da informação, vermos ainda que o véu da ignorância persiste. A alienação, a superficialidade dos fatos apurados, ajuda a criar uma cortina de fumaça, que esconde os verdadeiros culpados, as verdadeiras causas e conseqüências de uma crise econômica deste porte.

Para uma análise mais aprofundada da crise:
http://www.cartamaior.com.br